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Biografia

rio de janeiro_ rj_ 1961_ vive e trabalha em miami_ usa

www.fridabaranek.com

Frida Baranek obteve mestrado em Design Industrial na Central Saint Martins em Londres em 2012 e estudou Arquitetura na Universidade de Santa Úrsula Rio de Janeiro (1984).

De 1978 a 1983, ela começou a desenvolver sua prática de escultura em estúdios no Museu de Arte Moderna e Escola de Artes Visuais, ambos no Rio de Janeiro.

Em 2013, o Museu de arte moderna do Rio de Janeiro fez uma retrospectiva de seu trabalho com a exposição “Confrontos”  Seu trabalho foi incluído na Bienal de São Paulo (1989), Bienalle di Venezia – Aperto (1990), MOMA, em Nova York (1993), Maison foi Latine (1995), MAM são Paulo (1995,1988), Museu Ludwig, em Koblenz (2005), além de muitos outros.

A Galeria Raquel Arnaud de São Paulo, que  representa a artista desde 1990, incluiu suas peças em várias exposições individuais e de grupo. Seu trabalho é parte de muitas coleções públicas e privadas, como a coleção de Patrícia Phelps de Cisneros, em Nova York; O Museu Nacional das mulheres nas artes, em Washington, D.C.; A Fundação LEF, em San Francisco; Museu de arte de Universidade de Washington, em St. Louis; A Fundação de Loumeier, em St. Louis; assim como no “Ministere de La cultura, Fonds National d’Art Contemporain”, na França; no Pusan Metropolitan Art Museum, na Coreia do Sul; e, os museus de arte moderna do Rio de Janeiro e de São Paulo. Recentemente o Frost Museum em Miami e o MAR do Rio de Janeiro incluiram suas obras em seus acervos.

Frida viveu e trabalhou no Rio de Janeiro, São Paulo, Paris, Berlim, Londres e Nova York. Atualmente, ela tem estúdios no Rio de Janeiro e Miami.

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Textos

Em Mudança de Jogo, pode ser tomada como um sinal de transformação a ausência dos elementos metálicos que se tornaram característicos da obra de Frida Baranek. Contudo, muitos dos materiais que constituem as novas esculturas foram por ela usados anteriormente. Em verdade, seu trabalho tem usado matérias dos reinos mineral, vegetal e animal processadas, como o pó de mármore e as peças de borracha, feltro e couro, ou conformadas como artefatos — neste caso, varetas e bambolês de vidro, sacos de cânhamo, corda de sisal. A diferença agora é menos a variedade e mais a simultaneidade com que ela os experimenta e expõe. O que, significativamente, faz lembrar o início de sua trajetória.    A persistência também pode ser notada em um componente comum à escultura feita de corda e à gravura: o emaranhado, um símbolo da tensão entre o amorfo e o estruturado que tem perpassado sua poética. Nesse sentido, vale observar que recentemente ela começou a apresentar lado a lado suas experimentações nos domínios escultórico e gráfico — outro indício de experimentações concomitantes e interconectadas.    Novidade ainda é a cor, que, embora tenha precedentes em sua obra, aparece agora de modo inusitado. Mais do que a diversidade cromática nas peças e entre elas, importa que cada uma e a série se estruturem também a partir dos diálogos entre os tons próprios aos materiais.    Entretanto, o maior signo de mudança é a indeterminação morfológica das esculturas. Até aqui, algumas de suas peças podiam assumir configurações diferentes ao serem remontadas. As obras desta série não estão definitivamente conformadas pela artista, podendo ser reestruturadas quase infinitamente de acordo com os elementos e as regras por ela estabelecidos.    Derivada de uma reflexão sobre seu fazer e de uma vontade de maior participação do outro, a indeterminação é enfrentada de modo lúdico. Como em outras de suas obras, ela parte de objetos do mundo: o bambolê e o jogo Pega Varetas, rememorando brincadeiras infantis. Vazios e buracos, permeabilidades e articulações também sugerem possibilidades de manipulação e rearranjo das peças. Memória e experiência que indicam obras em aberto, mas nem tanto.    As regras, assim como certas particularidades das peças, ao mesmo tempo viabilizam a ação e lhe impõem limites. O jogo é tenso, apesar da sedutora sensorialidade material, cromática e formal. Na passagem do mundo infantil ao da arte, os brinquedos se tornam objetos disfuncionais e um tanto perigosos. Delicados, quebráveis e possivelmente cortantes, bambolês e varetas instigam o corpo a corpo, mas oferecem resistência. Elementos pontiagudos, contorcidos, perfurados e tensionados, asperezas e lisuras, redução a pó — nesta série, não faltam signos que conjuguem beleza e crise, prazer e dor.    Mais do que a capacidade de, ao mesmo tempo, afirmar e renovar uma singularidade artística, o jogo de opostos, de permanências e alterações, é uma expressão de vitalidade. Não apenas as alusões corpóreas fazem pensar na dimensão humana e existencial dessa série. Afinal, joga quem vive. E a vida pode ser entendida como um jogo de continuidades e mudanças por estruturar.

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