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Biografia

rio de janeiro_ rj_ 1952_ vive e trabalha em genebra, suíça

www.maria-carmenperlingeiro.com

Estudou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro e graduou-se na École Supérieure d’Art Visuel, onde mais tarde veio a lecionar. Na década de 1980 mudou-se para Nova York, onde estudou na Art Student’s League. Começou a trabalhar o barro, mas ao visitar o ateliê de Sergio Camargo em Carrara, na Itália, apaixonou-se pela densidade, resistência e peso do mármore. Na década de 1990 descobriu o alabastro, em Volterra, na Toscana, cuja transparência e camadas onduladas dão origem a obras de séries como “Lunáticas”, “Montanhas” e “Piercings”. Participou de diversas exposições individuais no Rio de Janeiro, em São Paulo e Genebra. Em 1996 conquistou o primeiro prêmio em concurso internacional para intervenção artística no prédio do UNI Dufour, organizado pelo Banco Darier Hentsch & Cie, em Genebra, concorrendo com 249 artistas de todo o mundo.

Em 2000 recebeu o 1º Prêmio no concurso “Lausanne Jardins 2000”, com o projeto paisagístico As Lanças de Uccello. Em 2006, o Paço Imperial (Rio de Janeiro) organizou sua exposição individual “O Mundo Maravilhoso dos Objetos Flutuantes”. Em 2007, a editora suíça InFolio lançou um livro com textos de Ronaldo Brito e Michael Jakob, registrando a produção de Maria-Carmen desde a década de 1980. Também em 2007 fez uma exposição no Espace Topographie de l’Art, em Paris. Em 2008 inaugurou uma exposição individual na Pinacoteca Civica, em Volterra, Itália. Em 2009 participou de uma exposição coletiva A Beleza do Erro, na LX Factory, em Lisboa. E em 2012,  fez a exposição “Luz de Pedra” no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro com curadoria de Cristina Burlamaqui. Em 2013, organiza outra exposição individual na Galeria Raquel Arnaud que a representa desde 1994.

currículo

Exposições

Textos

Pelo título de sua exposição, Luz e Pedra, Maria-Carmen Perlingeiro já afirma que, a seu ver, esculpir é não apenas criar um objeto tridimensional, carregado de sentido e beleza, mas também uma irradiação que se desprende desse objeto, ou de sua multiplicação, e que altera a luz do ambiente. Que o arranca daquilo que esperávamos ver. Dessa forma, em pleno século XXI, a artista mantém uma tradição e ao mesmo tempo renova os primeiros traços das esculturas, das montagens em três dimensões que chegaram até nós, como o crânio de urso disposto na Gruta de Chauvet sobre blocos de pedras, dos quais se eleva um plano horizontal, uma base em que ele se destaca, adquirindo o valor de uma peça religiosa.

A mesma preocupação com a continuidade das origens se revela na escolha dos alabastros, esculpidos desde o neolítico, mas que Maria-Carmen Perlingeiro sabe iluminar por meio de gravações em ouro. Aos quais ela acrescenta a selenita e seus cristais transparentes. Ɂ num duplo diálogo com o espaço que ela nos introduz: no das esculturas propriamente dito, com o brilho de suas formas e a surpresa das incrustações; mas tambeém naquele que ela compõe ao relacionar as peças entre si, ou ao multiplicá-las, a fim de criar um campo de visão renovado, feito para surpreender nosso olhar. De fato, essa multiplicação perturba a ordem que esperávamos e permite surgir o imprevisto de uma desordem luminosa que transforma o campo visual.
A artista acrescenta, como eu já disse, o que lhe é próprio, o sentido de suas gravações em ouro ou de suas perfurações no mármore, estabelecendo novos diálogos inesperados com a luz.

Continuidade no trabalho do alabastro, surpresas na combinação de matérias, a arte de Maria-Carmen Perlingeiro revigora nossa visão por meio dessas associações, pelos contrastes e pelas multiplicações das formas em jogo com a luz.