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Biografia

são paulo_ sp_ 1948_ vive e trabalha em são paulo

www.tuneu.com.br

Pintor e desenhista, Tuneu [Antonio Carlos Rodrigues] estudou com Tarsila do Amaral entre 1960 e 1966 e recebeu influência de Wesley Duke Lee. Foi assistente de Willys de Castro e Hércules Barsotti durante vários anos. Em 1966 realizou sua primeira mostra individual no João Sebastião Bar, em São Paulo.

Entre as exposições de que participou, destacam-se: Salão de Arte Contemporânea de Campinas (várias edições entre 1966 e 1974, Prêmio Viagem à Europa, 1970, e Prêmio Aquisição, 1974); 16º e 17º Salão Paulista de Arte Moderna (São Paulo, 1967 e 1968); Bienal Internacional de São Paulo (várias edições entre 1967 e 1975, Prêmio Aquisição Itamaraty, 1971 e 1975); Panorama da Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (várias edições entre 1971 e 1989); 3º e 6º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no Museu de Arte de São Paulo (1971 e 1975); Arte na Rua 2 (São Paulo, 1984); Off Bienal, no Museu Brasileiro de Escultura (São Paulo, 1996). Em 2010, a Casa de Cultura de Paraty (Rio de Janeiro) apresentou uma exposição individual do artista. A editora BEI organiza um amplo catálogo sobre sua trajetória e obra. A Galeria Raquel Arnaud, que representa Tuneu desde 2008, realizou individuais do artista em 2008, 2013 e 2017.

currículo

Exposições

Textos

As escolha de um material é um ato em si expressivo. No caso de Tuneu, a aquarela acompanha sua trajetória artística desde a década de setenta. Pelas suas caracteristicas, tal técnica sempre incita os artistas a testar os limites impostos pela linha. Seu método consiste em sobrepor finas aguadas de cores delicada- mente misturadas. Ao sobrepor camadas cromáticas, obtém-se um efeito aéreo luminoso. O branco do papel é crucial neste caso. Nessa exposição, a espessura do papel Arches é de extrema importâ‚ncia, pois não deve nem ser liso nem granuloso demais para se criar um efeito luminoso apropriado.

A aquarela passou a ser valorizada como um meio artístico na Inglaterra no começo do século XIX. Artistas como J.M.W. Turner e John Constable, ao fugir da pintura acadêmica, cada vez mais sombria, recorrem à aquarela em busca da luz. Por outro lado, a introdução de corantes químicos produziu uma enorme transformação na palheta do pintor, que passa a conter cada vez mais cores artificiais. As cores aplicadas na pintura se distanciam cada vez mais das coisas percebidas como coloridas, são signos que se separam das cores percebidas natureza. A composição cromática mais rigorosa fez com que os artistas se apoiassem em teorias cromáticas como a de Goethe, Chevreul, Ostwald. As cores são vistas na sua dimensão fisiológica, nos efeitos que produzem internamente na retina do observador. A experiência ótica se torna mais abstrata na medida em que o os pintores, ao invés de olhar para a natureza, na busca de estímulos externos, usam arbitrariamente as cores dispostas em sua palheta a fim de expressar um estado interior. Ao invés de descrever um comportamento físico da luz, o círculo cromático se torna um recurso para explorar as dimensões fisiológicas, psíquicas e espirituais da cor. Os estudos das passagens cromáticas feitas por Goethe hၠcento e cinquenta anos podem assim nos ensinar a ver as pinturas abstratas com outros olhos.

Dobradura remete também a técnica japonesa de dobrar papeis que tanto influenciou nosso Neoconcretismo. Como não pensar nos bichos de Lygia Clarck sem o origami? Porém, se nos relevos anteriores feitos por Tuneu a dobra era literal, agora ela aparece aqui apenas como uma ideia, algo que só se realiza na nossa imaginação. Os recortes cromáticos, que se insinuam nas dobraduras, na verdade revelam um quadrado latente, que no faz pensar na Bauhaus ou em Albers, artista célebre pela homenagem ao quadrado e seu livro A Interação da Cor. Mas, creio que uma interpretação concreta ou asséptica não nos aproxima efetivamente das aquarelas de Tuneu. Além da dobradura, hၠnessas obras recentes sempre um espaço interno vazio, que remete a um jardim Zen de pedra. Algo que efetivamente não pode ser visto, afinal, como disse outro mestre da cor, Matisse: “as cores existem e, todavia, não existem”.